TJSP

Bela Vista – São Paulo-SP
Projeto de Adequação à Acessibilidade
Ano do Projeto: 2010
Autor: Lucas Feitosa
Banco Industrial do Brasil – Heliponto

Vila Nova Conceição – São Paulo-SP
Projeto de Adequação à Acessibilidade
Ano do Projeto: 2018
Autor: Lucas Feitosa
Imagens: DSO Brasil, Matheus Godoy e Alicia Sayuri
TRT – Fórum Ruy Barbosa

Barra Funda – São Paulo-SP
Projeto de Adequação à Acessibilidade
Ano do Projeto: 2020
Autor do Projeto: Décio Tozzi
Autor do Projeto de Adequação à Acessibilidade: Lucas Feitosa
Espaço Vivencial de Educação para o Transito Vila Augusta

Guarulhos-SP
Ano do Projeto: 2005
Projeto Premiado: 3º Colocado
Equipe: Lucas Feitosa, Humberto Buso, Thiago Zau e Fernanda Silva
Esta proposta para o ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO visa se distanciar ao máximo dos modelos atuais de “Cidades Mirins” encontrados nas maiorias das cidades brasileiras. Modelos preocupados somente na formação de futuros condutores mesmo que nem todos venham a adquirir um automóvel no futuro.
Cabe a nós equipe multidisciplinar, conceber algo mais contemporâneo e condizente com o meio em que vivemos, onde questões como crises energéticas, coletividade, espaço público X privado, estão mais à tona. Não necessariamente contemporâneo no sentido da alta-tecnologia dos materiais físicos utilizados, mas sim no modo de transmissão do conhecimento.
Quando projetamos um espaço público inserido na malha urbana, como é o caso, podemos e devemos projetar algo efetivamente público, sem barreiras ou restrições. Assim o foco da proposta continua sendo as crianças do ensino fundamental, como é a premissa do concurso, porém as mesmas precisam de continuidade nesta formação. Então se faz necessário um espaço que transmita conhecimento não apenas às crianças, mas que também recebam pais e professores e podendo aproximar agentes educacionais, hoje tão desvinculados, como é o caso da figura dos policiais, que é sem dúvida quem irá sedimentar o conhecimento adquirido no espaço vivencial e colocar em prática a legitimação do conhecimento.
ÁREA
Conglomerado público
O terreno posto a disposição pela prefeitura de Guarulhos para implantação do ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO tem uma localização privilegiada sob o aspecto da cidade da mobilidade sustentável.
Sua relação com o bairro é de extrema importância, por equacionar diversos usos essencialmente públicos como morar, circular, descansar e estudar. Para tanto é necessário olhar a área destinada ao projeto sob a ótica desses aglomerados de funções, que são apenas distintas por subdivisões da quadra original, porém que permanecem como conjunto, não apenas pela vasta vegetação de grande porte encontrada na área do projeto e em todo aglomerado, mas também pelo próprio sistema de circulação pública que circula o conjunto respeitando essa unidade.
Apesar dessa forte relação com o bairro, a área também tem sua relação regional potencializada pelos eixos de circulação do seu entorno, sendo fácil o acesso ao centro da cidade ou até mesmo a capital do estado.
IMPLANTAÇÃO
Gerar mobilidade e gerar conhecimento
A implantação do conjunto de edifícios do ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO tem como premissa não interferir e se possível potencializar essa multidiversidade de usos públicos encontrados na área desse conglomerado situado entre as ruas Salvador Gaeta, Joquim Miranda, Santa Augusta e Santa Filomena, entre eles o morar, estudar, descansar ou circular.
Os edifícios teriam que estar inseridos na área disponibilizada pela prefeitura, que se encontra no miolo do conglomerado, porém sem deixar de interagir com todo o conjunto inclusive respeitando as árvores que ali estão.
O resultado dessa equação, que além desses objetivos citados tem na circulação gerada entre as atividades educacionais, etapa fundamental do projeto pedagógico, é uma implantação em três blocos interligados por marquises e pérgulas que além de estarem relacionados com o miolo, devem se relacionar essencialmente com o conjunto.
A priori os três blocos têm sua relação com a rua, espaço público de excelência. Primeiro localizado ao norte da área, o educacional, edifício em “L” com o térreo livre abre-se como pórtico e convida quem está na rua a usufruir do espaço seja para aprender ou apenas para cortar caminho. Foi recuado até a sombra que a seringueira centenária oferece e em troca retribui todo o recuo ao uso definitivamente público.
O lugar onde se aprendia com certa importância, a utilização do automóvel, dá lugar a um espaço essencialmente público, sem barreiras e tabus simplesmente aberto, ora coberto ora descoberto, sendo, este sim espaço onde o importante é o encontro.
Ao sul da área na Rua Santa Filomena está implantado o auditório. Tratado aqui com a importância que estes espaços deveriam ter em todas as sociedades, espaço de reflexão e debate e fundamental na implantação de novos conceitos. Além da circulação gerada entre os blocos a idéia de dar ao auditório certa independência, tenta reforçar o conceito do aglomerado de funções e suas relações locais e regionais.
O terceiro bloco, a leste, é um mirante formado por uma rampa helicoidal. Além de se tornar um marco regional, podendo ser observado desde a rodovia Presidente Dutra, tem sua função didática apresentar a cidade como ela é, ao passo que se podem observar as intenções da cidade da mobilidade sustentável que estarão sendo praticadas na área, tendo sua relação não apenas com a rua, propriamente dito, mas com a cidade. Seu contraponto seria o prédio da secretaria da educação, a oeste, e a praça fechando o conjunto e passando para os observadores a sensação de espaço comum. Assim os três blocos, de certa forma, alcançam a rua e a rua é o lugar do povo.
01. PRAÇA JOAQUIM MIRANDA
A via pública respira e a praça aparece não esta da proposta, mas a que ali sempre esteve atrás dos muros. A idéia de recuar o bloco educacional à sombra da seringueira tem alguns objetivos. Respeitar as árvores que ali estavam já que sua implantação e imposição de um sistema viário coerente ao processo pedagógico, em sua escala real, resultariam na retirada ou transplante de algumas espécies. Criar um acesso, generoso, para a praça já existente, hoje murada e pouco expressiva já que é apenas percebida pelas copas das árvores. Subvertendo a idéia de que um ser humano motiva o outro, essencial para concretização do espírito público. Temos a consciência de que esta é uma situação existente e já absorvida pela população local, porém a criação da Praça Joaquim Miranda serve para mostrar outras possibilidades e desobstruir a vista da praça, pelo menos neste ponto.
Mantendo as árvores e retirando a antiga pista da “Cidade Mirim” a nova praça ganha espaços de convivência com equipamentos públicos acessíveis, como telefones, caixas de correios e possivelmente um ponto de ônibus modelo, colaborando com a polinização da proposta implantada pela prefeitura de Guarulhos, no centro da cidade, por toda a região.
Será também realizada uma marquise leve sobre a rua de acesso ao ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO. Esta via coberta além da utilização de acesso, seguindo as normas de implantação de vias públicas, oferecerá a população do entorno, área coberta e dignamente pavimentada, preferencialmente com pavimentação intertravada e permeável, como também será todo o circuito interno. Desta forma a opção pelo recuo do prédio, além de manter sua relação com a rua, respeitar as árvores existentes, oferece a população, este espaço público, que tem como principal objetivo ser continuação da praça existente que alcança a rua.
02. EDIFÍCIO EDUCACIONAL
Recuado e a sombra da seringueira, o edifício é dividido em dois blocos interligados pelo espaço para exposições que tem função e estrutura de passarela. O primeiro bloco, voltado para Rua Joaquim Miranda, abriga as atividades pedagógicas e administrativas, seu sistema estrutural mescla pilares e lajes de concreto com vigas de aço, necessária para vencer a modulação de 8×8 metros interferindo o mínimo possível no térreo já que este terá grande utilização. Conta ainda com massas de alvenaria estrutural, dispostas no eixo longitudinal do bloco, e abrigam banheiros, depósitos e cozinha no pavimento superior, e no térreo, a oficina e a garagem das bicicletas e a lanchonete. O resultado é uma caixa suspensa ora cheia ora vazada que emolduram a praça existente e o prédio da secretaria da educação, de maneira a não tornar a paisagem enquadrada monótona realçando seu valor.
O outro bloco, perpendicular ao primeiro, completa a implantação em “L”, abriga as salas de aulas e a biblioteca segue o mesmo sistema estrutural, porém, muito mais transparente, já que não conta com o sistema de alvenaria estrutural. Seu eixo longitudinal norte-sul faz com que a fachada leste olhe para a figueira enquanto a fachada oeste é protegida por um beiral generoso. O térreo deste bloco, abriga um ponto de ônibus, que faz as vezes de terminal urbano, onde as crianças são recepcionadas após serem buscadas nas escolas pelos micro ônibus. Também um balcão de recepção implantado no espaço coberto, no ponto central da área, para receber seja quem chega da rua Joaquim Miranda, da praça existente ou da rua Santa Filomena.
03. MIRANTE
A representação do processo pedagógico moldado em concreto e aço torna-se o símbolo do ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO, o mirante implantado na extremidade oeste da área tem altura equivalente a três andares, de onde é possível avistar não apenas o circuito interno, mas o mais importante pode-se do alto, observar a cidade real com seus conflitos, para daí pela descoberta, poder cristalizar o conhecimento. Sua relação com a rua, ponto primordial dos edifícios implantados na área, acontece de fora para dentro. Ao apresentar a cidade real para os observadores apresenta o ESPAÇO VIVENCIAL para a cidade, podendo ser percebido como marco no seu entorno.
04. AUDITÓRIO
Ao sul da área na Rua Santa Filomena está implantado o auditório. Tratado aqui com a importância que estes espaços deveriam ter em todas as sociedades, espaço de reflexão e debate e fundamental na implantação de novos conceitos. Basicamente de alvenaria estrutural, segue a mesma configuração das caixas de alvenaria do edifício educacional. Aqui a função do edifício é exteriorizada aparecendo na volumetria. Sua função de pórtico de entrada é ressaltada pela estrutura industrial que cobre as circulações que é praticamente continuação da calçada existente incorporando rampas e escadas criando um espaço de estar e não apenas de passagem.
Para esta área abre-se uma vitrine interligando interior e exterior. Será previsto um fechamento para esta vitrine prevendo as possíveis utilizações deste espaço, porém se faz necessário pensar na importância de um espaço de discussão como este e no quanto essas discussões são importantes para formação dos cidadãos. Assim uma pessoa que está circulando pode-se motivar a entrar e participar de palestras ou outras atividades.
Além da circulação gerada entre os blocos a ideia de dar ao auditório certa independência, tenta reforçar o conceito do aglomerado de funções e suas relações locais e regionais.
05. SISTEMA DE CIRCULAÇÃO
A implantação dos edifícios buscando a rua e espalhando o programa pela área proporciona um sistema de circulação interessante que possibilita aos usuários do ESPAÇO VIVENCIAL observar as possibilidades da mobilidade sustentável. Conta com um circuito de ruas pavimentadas com intertravados de concreto tornando a área o mais permeável possível. Atualmente algumas ruas da cidade seguem este padrão que pode ser incorporado ao projeto. O projeto está dimensionado em sua escala real possibilitando a circulação de veículos e microônibus pela área, enfatizando assim os conflitos com os demais meios de circulação, que neste caso são as vias de pedestres e as ciclovias. As vias de pedestres receberam especial atenção. Além possibilitar a circulação livre e desimpedida pela área, criando rotas acessíveis, respeita o paisagismo implementado pela prefeitura com caminhos, mas livres de cimento desempenado e sempre que possível, respeitando a topografia existente, esses caminhos se abrem e dão lugar a espaços de convivência, convite a aulas ao ar livre ou para hora do lanche.
06. ESTRUTURAS INDUSTRIAIS RECICLADAS
Optamos em criar elementos visuais que representassem, não apenas ideias do ESPAÇO VIVENCIAL DE EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO, mas também sua origem e sua localização. Estes elementos dariam unidade ao conjunto, já que seriam executados nos três edifícios e precisariam necessariamente trabalhar a ideia de escala dos observadores. Longe do novo projeto, ter alguma referência com a Cidade Mirim era necessário trazer para área a multidiversidade de escalas que é encontrado na cidade real. Trazer a imagem da cidade de Guarulhos para a área. Cidade que exerceu papel fundamental no processo de industrialização do país e que hoje está se adaptando e evoluindo às novas configurações econômicas e espaciais. Era ainda preciso agregar conceitos de sustentabilidade e reciclagem.
E algo que vem de encontro com estes ideais é o projeto executado pelo arquiteto Luiz Henrique Zanetta, que é de extrema generosidade urbana, na cidade de Santo André, São Paulo com a criação do Parque Escola como laboratório da idéia, e posteriormente implantado, o Parque Central.
Tendo estes projetos como norte, propomos como resposta aos anseios citados acima a reciclagem de antigas estruturas indústrias, provenientes de áreas onde estão ocorrendo mudanças de usos e reutiliza-las aqui no Espaço Vivencial. Seriam intervenções pontuais, coberturas feitas basicamente de treliças de aço ou outros materiais encontrados na região. Serão destacadas dos volumes dos blocos e receberão acabamento uniforme. O fato de terem a função de cobertura é conceitualmente interessante já que queremos marcar a idéia de mobilidade. Ora funcionam como proteção mecânica contra as intempéries ora avançam um pouco criando um beiral generoso, porém o mais importante é que elas venham da cidade para o espaço vivencial, reforçando a idéia de reciclagem, transmitindo unidade ao conjunto e se apresentando como símbolo da mobilidade sustentável.
Hotel Paineiras Rio de Janeiro

Rio de Janeiro-RJ
Projeto Arquitetônico
Ano do Projeto: 2009
Equipe: Lucas Feitosa, Humberto Buso, Thiago Zau, Lucas Santos e Ulysses Martins
SITUAÇÃO ATUAL
Este estudo pretende ser uma solução para os atuais problemas de fluxo e ocupação do conjunto denominado Complexo – Hotel Paineiras, bem como, apresentar soluções para sua futura ocupação.
TERRENO
A localização do complexo é bastante peculiar. Não apenas por se tratar de um entre morros a aproximadamente 460 metros do nível do mar, mas em relação à formação da cidade e seus fatos urbanos. Situado no interior do Parque Nacional da Tijuca o complexo goza de abundante vegetação remanescente e de geografia excepcional.
Os morros, talvez o mais impressionante contraste vertical e horizontal no mundo. Essas barreiras naturais, visto como obstáculos a serem vencidos no passado concentraram a expansão urbana do Rio de Janeiro. Desta maneira, é possível identificar com bastante fidelidade, cada momento urbanístico vivido pela antiga capital.
Esta evolução urbana caracterizada pela ocupação de quase toda a área encerrada pelos limites naturais tinha como principal característica os saltos. Saltos estes gerados a cada superação dos obstáculos. Ora morros, ora o mar, ambos vencidos ano após ano, via túneis, via vias.
Nos hiatos das conquistas, a cidade, de maneira quase pedagógica, nos apresenta no norte uma densa ocupação urbana da sua fundação, passando pela limpeza moderna para finalmente se espraiar numa barra ao sul.
No meio do caminho desta expansão, neste panorama de natureza oferecida e abundante, por vezes rompida e vencida é criado o parque nacional da Tijuca. O qual abriga alguns dos marcos naturais e construídos mais expressivos do mundo e se tornou referência de localização na urbe para os que vão de norte a sul.
DIAGNÓSTICO
O “vale” onde se encontra, atualmente, o complexo está nitidamente sobrecarregado. O número de visitantes em diferentes meios de transportes já supera em muito a capacidade de atendimento adequado que o parque pode oferecer. Como se não bastasse a exuberante floresta tropical, os maciços rochosos e principalmente a vista que eles propiciam, o parque ainda conta com a presença de um monumento responsável por atrair milhares de turistas ao local todos os anos. O Cristo Redentor, quer seja pela fé ou pela simples possibilidade de apreciar as conquistas humanas, atrai pessoas de todos os países. Pessoas estas que simplesmente atravessam o complexo. Seja por falta de espaços adequados que as recebam ou simplesmente pela falta de atrativos que completem a visita.
Desta forma, a organização dos meios de transportes que acessam a área, a garantia de atendimento aos visitantes coerentes com a importância turística da cidade e as diretrizes de uma futura ocupação serão os pontos tratados neste estudo.
A BUSCA PELO PLANO
O aterro, os calçadões e cada morro rompido em busca de um lugar mais plano. Isto resume de maneira lúdica as conquistas cariocas. Este conceito norteia nossa proposta de ocupação para o complexo.
O vale estreito e alongado, apesar da intensa beleza natural, atualmente é apenas passagem para quem, de fato, quer chegar ao Cristo. Esta proposta não pretende deixar de ser esta passagem, mas sim, convidar quem passa para ficar um pouco mais.
Um plano, ora passeio, ora cobertura conectando toda a topografia peculiar do vale aos novos e revitalizados equipamentos. Este plano em forma de eixo implantado no sentido longitudinal do vale pretende ser uma nova topografia, uma topografia plana e artificial criada para receber as pessoas e apresentá-las o vale, a cidade norte e a cidade sul.
A ESPLANADA
Plano proposto, a esplanada parte da cota 460 ao sul. Com vista para zona sul, ancorada aos pés do antigo Hotel Paineiras. A partir deste ponto repousa no terreno por aproximadamente 65 metros, até sua estrutura enraizar em busca do solo assumindo sua dupla função, passeio e proteção. Continuando nesta tipologia por mais 235 metros ao sul, conectando e protegendo novos equipamentos, mas principalmente alcançando, por de traz do morro, a vista para a zona norte da cidade. Deixando para traz a função técnica inerente aos percursos, assumindo a função didática da exploração.
HOTEL PAINEIRAS E CENTRO DE CONVENÇÕES
Este hotel de serra atualmente em ruínas teve o prédio original inaugurado em 1884, porém vem sofrendo diversas intervenções. A construção original já não existe mais, porém é incontestável o valor histórico da construção principal bem como alguns anexos.
O Hotel conta com boa capacidade de infraestrutura e de suas janelas se vê praticamente toda a zona sul. Quanto à localização, apesar da distância, o mesmo se encontra conectado a um sistema de transportes regular e não-poluente, virtudes, mas do que cobiçadas nos dias de hoje. Porém apesar dos pontos fortes, a atual paineira tem metade dos quartos voltados para paredão de arrimo do trem. Ou seja, 50% da sua capacidade de ocupação têm baixíssimas procura. Além deste problema grave para um hotel com estas características seus quartos estão desatualizados e não fazem frente à concorrência das grandes redes.
O foco desta proposta foi à reutilização da capacidade de infraestrutura existente para abrigar as exigências atuais. Sem descaracterizar a história, mas atualizando os usos e infraestrutura, para que desta forma, mais competitivo afaste a possibilidade de novo declínio.
Quanto à atualização da infraestrutura, o hotel atual conta com pés direito generosos, possibilitando a instalação de novos e atuais sistemas de energia, água gás e lógica, seja via forro ou pisos elevados. Toda via a questão principal seria reverter os quartos de traz do hotel para que os mesmos usufruíssem da vista. Por sua vez o hotel apresentou a solução para esta questão. Sua estrutura tem modulação de aproximadamente 3,75 metros. Porém os quartos existentes, não eram alinhando com a estrutura, resultando em quartos mais quadrados e diminuindo consideravelmente a ocupação de quartos para a vista. Assim, uma simples intervenção, mas de grande resultado prático e comercial, foi realinhar as divisórias entre quartos nos pilares existentes. O resultado disso foi a ausência de quartos voltados para o paredão. Ao contrário o hotel ganhou um corredor periférico para o fundo, que é praticamente uma vitrine da mata existente. Estas novas divisórias que podem ser executadas em dry-wall aproveitam a espessura dos pilares existentes, aproximadamente 50 cm, para execução de shafts e nichos para armários embutidos e iluminação.
Quanto à cobertura, toda refeita de estrutura de aço e telhas tipo sanduíche planas, arremeta o corpo do edifício. Porém, além da função estética a mesma serve de suporte para instalação de placas de energia solar e aquecimento. Com área de aproximadamente 700m² o hotel conta junto com o sistema de capitação e armazenagem de água com um sistema quase autossuficiente e ecologicamente viável.
Esta alteração resultou em quartos mais compridos do que o normal, possibilitando a criação de uma segunda fachada, está totalmente de vidro e recuada 1,5 metros. A original foi mantida e seus vãos originais ampliados. Esta empena de alvenaria, agora descolada do corpo do hotel protege do sol da tarde sem a necessidade de acrescentar novos elementos à fachada como brises e abas.
Apesar de o hotel ser tratado como objeto descolado da cidade, pouco se relacionando com o entorno, nesta proposta o mesmo faz parte de um complexo sendo e abrigando novos equipamentos de atração pública. O hotel se relaciona com a esplanada pelo térreo, daí a ideia de aproveitar todo o grande salão para receber as pessoas que usufruem do novo percurso plano. Assim as salas de exposições temporárias e permanentes foram inseridas neste espaço, de maneira livre e abertas, sem engessar futuras apresentações e tirando partido de divisórias móveis embutidas no forro, quando da necessidade de privacidade.
Além do espaço todo livre e receptivo o espaço do antigo salão foi ampliado até encostar-se à montanha e trazê-la para dentro do hotel. Costurado por uma pérgula de estrutura metálica e vidro, aproveitando melhor a iluminação zenital da manhã realçando o contraste das pedras e sendo ela mesma objeto cênico de exposição.
Este grande área de exposição pretende ser transmissora de informação, não de maneira ostensiva, mas sim se colocando apenas no meio do caminho de quem vai e vem e que distraidamente pode esbarrar com o conhecimento posto ali. Além desta área pública o hotel ainda conta com o café e o alpendre. O primeiro ainda é divido com os hóspedes do hotel e tem caráter semi-público, já o alpendre, localizado na melhor vista do vale e no final da esplanada foi considerado como espaço público e irrestrito, evitando privatizar a vista. Um mirante a 460 metros do nível do mar. Também marca a entrada do restaurante panorâmico. O novo restaurante ocupa um salão logo abaixo do alpendre, mas que compartilha da mesma vista para a zona sul.
Esta localização estratégica do restaurante permite que ele tenha vida própria independente do hotel, utilize a infraestrutura para uma cozinha industrial localizada no subsolo do hotel, que também serve ao café. Esta proposta descarta a opção por um restaurante na cobertura do hotel, visando à alcunha de panorâmico. O restaurante, tal qual, apresentado nesta proposta se encontra a 455 metros do nível do mar, conta com fachada envidraçada, varanda coberta e principalmente com as vantagens da cozinha no mesmo pavimento. Esta última conectada a rua via galeria existente.
Estes quatros espaços encerram as áreas públicas conectadas na esplanada, porém o hotel ainda conta com a implantação de um centro de convenções composto por auditório e salas de reunião multiuso.
Este bloco de três andares, sendo um deles, subsolo, compreende a ampliação do hotel. Está localizado a esquerda de quem entra no lobby, porém não segue a inclinação do mesmo. Seu alinhamento se relaciona com a esplanada, desta forma se apresenta tanto para quem está na rua quanto para quem vem da esplanada no sentindo norte-sul. Conectado ao hotel por meio de uma empena de pedra suaviza a altura do hotel e gera uma fachada nova, tão importante quanto a principal, tendo em vista o fluxo de pessoas canalizadas neste sentido. De estrutura metálica e vidro, o auditório para 300 pessoas tem fachadas de vidro duplo acústico e sistema de cortinas tipo blackout. Assim o auditório pode se comunicar e atrair pessoas interessadas, o conteúdo do contêiner bem como se isolar do exterior se isso se fizer necessário no andar superior e teto jardim onde estão às salas multiusos voltados para a montanha.
A decisão de implantar este bloco como ampliação do hotel e não de forma isolada foi levada em consideração na sua tipologia. A caixa de vidro de cobertura plana conectada ao hotel não rivaliza, pelo contrário, pretende incorporar todo o complexo fazendo a conexão da implantação angulosa do hotel com o eixo reto da esplanada.
O hotel ainda conta com área de lazer paras os hóspedes, implantada entre a nova sede do Instituto Chico Mendes e a fachada sul do hotel. Esta área foi tratada como mirante privativo, tendo em vista que usufrui praticamente da mesma vista do mirante público. Nesse ponto também foi anexada uma circulação vertical encerrado o volume do hotel. Esta circulação além de ser uma ligação entre os hóspedes e esta área de lazer dá suporte a uma possível ampliação. Tendo em vista que o novo hotel foi pensado num sistema aberto, o mesmo ainda tem capacidade de expandir em aproximadamente mais 21 suítes sendo implantados em bloco em cima da área de lazer. Esta proposta não contempla esta ampliação e não tem a pretensão de prever o futuro, só reconhece o potencial da área em questão e suas futuras modificações.
ESTAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA E EDIFÍCIO GARAGEM
Com a função de ordenar o fluxo de pessoas e meios de transportes diversos que visitam o Cristo Redentor, estes equipamentos pretendem ir além de organizar e ordenar as várias necessidades de quem vai e vem. Pretende receber essas pessoas e lhes apresentar todo o complexo. Desta forma ambos foram pensados para serem edifícios transparentes, de onde se vê e se é visto. Onde a circulação se incorpora espaços de estar e encontros.
A estação de transferência, volume de três andares está conectada à esplanada no nível 460 e por consequência ao edifício garagem. Na cota 451, alcança o terreno e sua dinâmica. No andar intermediário está a nova plataforma do trem. Sendo desta forma principal integrador das relações que acontecerão neste espaço. Tanto de quem está hospedado no hotel e precisa ir até a cidade, quanto quem vem da mesma para visitar o Cristo Redentor ou apenas apreciar as vistas e os serviços do novo complexo.
Com térreo praticamente livre para organização das filas para visitar o Cristo e desembarque de pessoas que chegam da cidade, alguns poucos serviços foram implantados na cota 451: sanitários, bilheteria e base da polícia. Já no andar intermediário onde está a estação de trem, também se encontra algumas lojas temáticas e área de apoios a funcionários. No último andar, sua cobertura serve de área de respiro para a esplanada, que se converte em espaço de estar e encontro à altura das copas das árvores.
O edifício garagem é o primeiro edifício que será visto para quem chega ao complexo. Por estas e por outras razões não poderia ser um edifício técnico e frio. Sua composição segue a da estação de transferência. Seus sete andares não causam impactos, pois sua implantação foi feita num ponto do vale e da área de intervenção com as cotas mais baixas. O sistema viário atual vence via uma ponte em curva este declive, passando rente ao edifício garagem na altura do seu quarto andar, desta forma ajudando na mimetização do edifício com o entorno.
Vietnam Ricefield – Lodge Lào Cai

Ano do Projeto: 2020
Equipe: Lucas Feitosa, Fernanda Marafon, Roberto Montenegro, Matheus Godoy, David Silva e Edilson Melo
A necessidade de enfrentar a natureza, de constituir parte do território e dele participar com inteligência, norteia escolhas formais e construtivas do projeto. Elege-se a configuração segundo módulos construtivos de medidas regulares que, agrupados, atendem às atividades do programa, permitem arranjos diversos e futura expansão. São propostas diferentes edificações: unidades autônomas, para famílias e habitantes locais; dormitórios para visitantes, pequenos galpões multiusos e um bloco principal com maior extensão, que constitui marco na paisagem e reúne ações do domínio coletivo: receber, cozinhar, comer, socializar, estar.
A edificação principal, organiza-se a partir da entrada, definida por pátio central e anuncia o intuito de contemplação e integração com esta paisagem. Organizam-se duas alas, à esquerda e à direita, em uma delas situam-se áreas de depósito, serviços e centro de convivência para atividades comunitárias e na outra ala, a área de recepção de hóspedes, cozinha, preparo e consumo de refeições e área para socialização de hóspedes e moradores.
A repetição de conjuntos com mesmas medidas e núcleos de instalações similares tenciona permitir a flexibilização e variedade de usos na mesma unidade construída. Desta maneira, unidades autônomas e conjunto de quartos são inseridos nas diferentes situações geográficas. As varandas na totalidade do perímetro solucionam questões climáticas e do programa.
O sistema construtivo é concebido a partir de módulos de 3 m x 3 m em materiais locais – bambu na estrutura principal e madeira nos fechamentos e apoios inferiores – empregados com objetivo de promover o uso sustentável dos recursos naturais e minimizar gastos energéticos com transporte e transformação de matérias-primas. A execução pode ser realizada por mão de obra local por meio de oficinas de capacitação para promover educação ambiental, manejo de recursos existentes na região e incentivar a economia local. Em locais nos quais há necessidade de precisão nas medidas adota-se bambu lamelado colado, material desenvolvido industrialmente e associado a demandas de maior escala.
Os módulos construtivos suspensos, sem tocar o solo, aludem à construção tradicional local com implantação livre nas variadas situações e cotas geográficas, e possibilitam a orientação solar adequada a cada caso. Podem ser agrupados para constituir usos com maior contingente de pessoas ou alocados de maneira autônoma. Todas as unidades estão aptas a receber tecnologias de energia renovável: painéis fotovoltaicos, cisternas enterradas para captação de águas pluviais do sistema de cobertura com calha central e sistemas de aquecimento alternativos.
Desert Accommodation – Projeto de Hotel Arábia Saudita

Ano do Projeto: 2021
Equipe: Lucas Feitosa, Fernanda Marafon, Roberto Montenegro, Matheus Godoy e Marcos Martins
Construir em uma área com uma paisagem exuberante frequentemente impõe uma dualidade: fascinação, o desejo de integração plena com a natureza e a necessidade de dominá-la, lidar com o que é hostil nela, proteger e abrigar.
A partir dessa relação dupla com esse território, o projeto é definido, um único bloco horizontal, elevado em relação ao nível do solo e configurado pela alternância de áreas construídas e áreas abertas ao longo de um eixo de circulação longitudinal. Uma solução na qual a transparência das cercas e a distribuição de pátios permitem a continuidade visual entre espaços internos e externos, a fim de propor uma integração com a paisagem e a delimitação do edifício, que é evidenciada pelo pódio que o sustenta.
No corpo do edifício, posicionado na direção nordeste-sudoeste, paralelo à estrada de acesso e aos penhascos circundantes, os diferentes setores do programa são organizados: na ala direita, a área das mulheres, na ala central, a área coletiva e na ala esquerda, os quartos dos homens e a academia para atividades esportivas. Os ambientes sociais, de convívio e acomodações dos hóspedes estão localizados no lado leste, com grandes superfícies envidraçadas com vista permanente para as montanhas, e as áreas de serviço e acesso estão localizadas em posição oposta em relação ao eixo de circulação, no lado oeste, próximo à estrada de acesso do projeto.
Na porção central do edifício, um grande pátio, coberto por muxarabis, com jardim e espelhos d’água, é um elemento central da área coletiva, um lugar de permanência e contemplação da paisagem, em torno do qual os ambientes coletivos são organizados: majlis, salas de jantar, sala de reuniões e hall de entrada. Ele também proporciona um acesso adicional, diferente das áreas de recepção masculina e feminina, destinado à chegada de convidados em possíveis eventos.
Todo o edifício é organizado por módulos de 7,5 m x 7,5 m, uma medida que, isoladamente ou em múltiplos, define as dimensões das áreas de atividade e dos pátios localizados entre elas. O sistema construtivo, composto por pilares metálicos e lajes de concreto armado, segue a mesma modulação e, dessa forma, construção e organização espacial coincidem, indicando síntese.
Questões climáticas e ambientais são resolvidas pelo uso de recursos passivos que podem minimizar os custos de energia com sistemas de climatização, comuns em climas quentes. Para amenizar as altas temperaturas, espelhos d’água são projetados ao longo de todo o comprimento do edifício, que, juntamente com piscinas recreativas, proporcionam resfriamento nos ambientes e podem aumentar a umidade relativa do ar. Em relação ao controle da radiação solar, as áreas de permanência recebem vedação dupla: uma camada de painéis de vidro e outra com painéis móveis tratados como brises-soleil. Esses fechamentos duplos permitem a abertura total dos ambientes coletivos, além de vedação mais eficiente e proteção térmica, dada a distância entre os painéis transparentes e opacos.
A regularidade do sistema construtivo proposto permite o uso flexível das várias áreas construídas, com expansão ou alteração do programa de atividades, bem como a realização de futuras ampliações, sem prejudicar a solução formal adotada. Uma premissa que é efetivamente sustentável.
Ao considerar a implementação do projeto, a dualidade proposta em relação à paisagem, ao deserto, também é possível comentar que, enquanto a escolha dos materiais de construção busca uma certa mimese cromática com o entorno, sua disposição, ordem geométrica marcam o limite entre o domínio construído e a natureza.
Concurso Público Nacional de Arquitetura e Urbanismo para a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Unidade São Chico
São Francisco de Paula-RS
Ano do Projeto: 2022
Equipe: Lucas Feitosa, Matheus Godoy e Alicia Sayuri
A exigência de atender o programa de necessidades extenso em um lote pequeno e com pré-existências, como o edifício de valor histórico a ser preservado e duas araucárias, orientam a concepção do edifício que abriga a nova sede da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul.
O edifício consiste, essencialmente, em um volume horizontal, o embasamento em concreto, sobre o qual é articulado um bloco verticalizado. Tal configuração permite, além da leitura de dois volumes distintos, o que confere certa leveza ao conjunto, a diversificação de usos e configurações características de uma universidade.
Sua estrutura é relativamente simples: ambos volumes são concebidos em um sistema estrutural conhecido como “dom-ino”, o qual define-se por módulos regulares constituídos por elementos estruturais em concreto armado, como lajes, pilares e núcleos estruturais. Este sistema reforça a flexibilização dos espaços internos decorrentes da tipologia adotada, como permite a otimização do planejamento da edificação, visto que permite a pré-fabricação a partir dos elementos que a constituem.
Em virtude do que é exposto, pode-se ordenar a edificação em dois grandes blocos. O embasamento do conjunto abriga os laboratórios, como parte de suas áreas técnicas. Ele conforma, neste sentido, uma área restrita que limita o acesso do público à edificação pela Rua Três de Outubro, o que evidência, consequentemente, o acesso principal, que ocorre pelo pavimento de transição voltado para Praça Capitão Pedro da Silva Chaves.
O volume verticalizado, por sua vez, abriga áreas de uso comum, como o auditório e a biblioteca, áreas educacionais como o laboratório de informática e as salas de aula e áreas administrativas, como salas de reunião e gabinetes para docentes. Conforma-se neste sentido como a parcela mais densa do programa, que abriga as áreas mais frequentadas pela universidade ao longo do dia.
Estes dois grandes blocos, são divididos pelo pavimento de transição, que concentra as principais áreas de recepção do conjunto, reparte a edificação em dois e cria um elemento balizador capaz de equilibrar as atenções dentro da universidade. O acesso à este pavimento ocorre em desnível em relação a seu principal logradouro, a Praça Capitão Pedro da Silva Chaves, superado por uma ampla rampa acessível.
Como consequência da distribuição dos usos pelo conjunto, adota-se estratégias capazes de garantir o conforto ambiental à seus usuários. Entre estas, destaca-se o sistema de chapas metálicas perfuradas que permeia suas fachadas, os quais são capazes de filtrar a incidência de luz solar sobre dos ambientes, como o grande vazio que comunica visualmente todos seus pavimentos, o qual permite uma fonte de luz atenuada internamente. A divisórias internas entre os ambientes, são pré-fabricada com a reutilização de recursos e produção de energia limpa. Referente ao sistema de tratamento de esgoto, se propõem a instalação de biodigestores para suprir essa demanda.